Tecnofobia: como superar

Tenho amigos que possuem muito medo da tecnologia. Na maioria são pessoas que nasceram e cresceram num tempo em que ela não era tão essencial. Eles se sentem inseguros ao ver que as coisas mais simples da vida, agora depende de um smartphone com acesso à Internet. Alguns estão se adaptando e aprendendo, mas outros continuam apresentando sintomas do que chamamos de tecnofobia.

A tecnofobia é o medo ou aversão à tecnologia, de forma constante e persistente. Para algumas pessoas ela está associada a um sentimento de ansiedade quando se usa algum tipo de dispositivo tecnológico, como um smartphone, caixa eletrônico de banco ou algo muito avançado, por exemplo.

Se você está na dúvida se tem ou não tecnofobia, fique tranquilo.  A menos que outra pessoa esteja lendo esse artigo ou ele tenha sido impresso, você não deve sofrer disso.  Mas, deixando a brincadeira de lado…  o medo de tecnologia é mais frequente do que se imagina e deve ser visto com muita seriedade.

Não ter medo da tecnologia é uma exigência para o trabalho na atualidade. Imagem: Shutterstock

O comportamento negativo e contrário à tecnologia pode ter origem cultural, ideológica ou religiosa. Por exemplo, populações de alguns países tem mais dificuldade em aceitar novas tecnologias pelo receio da perda de empregos. Algumas religiões rejeitam a tecnologia por considera-la algo que afasta as pessoas de Deus.  Porém, não podemos considerar esses casos uma fobia, mas uma escolha ou ponto de vista.

A tecnofobia é algo mais profundo. Ela pode afetar a saúde do indivíduo e até provocar ataques de pânico quando a pessoa é confrontada com uma tecnologia nova que necessariamente precisa utilizar.

Causas da Tecnofobia

Os principais motivos da tecnofobia podem ser:

  1. Resposta intuitiva à novidade. Por natureza, nos sentimos inseguros diante das novidades, mas com o tempo esse sentimento tende a diminuir. Exemplo, quando a luz elétrica foi inventada também foi considerada uma ameaça à vida. Hoje, poucos fazem essa reflexão ao ligar uma lâmpada, ainda que a eletricidade mantenha seus perigos. Para algumas pessoas, a resistência intuitiva por tecnologias pode ser mais intensa e permanente.
  2. Fator Pessoal. Pode ser o medo de perder o emprego para uma máquina ou de um tipo de produto parar de ser vendido por conta do surgimento de outro. Aqui, a resistência não se deve ao novo, mas à percepção de prejuízo em potencial. Nesse caso, cada um tem uma reação. Por um bom tempo existirão pessoas que irão preferir ouvir música num disco de vinil do que baixar faixas mp3 ou assinar um serviço de música na nuvem.
  3. Desafio Intelectual.  A pessoa pode ter mais dificuldade para dominar uma nova tecnologia por considera-la complexa demais ou tem receito de como ela pode vir a ser utilizada. Exemplo, a ideia de que os robôs podem substituir os recepcionistas pode gerar uma ideia de desumanização. Os carros autônomos que não precisam de motorista podem gerar o medo pela segurança dos passageiros e, por consequente, a resistência intelectual.
  4. Comportamental. Um modelo de negócio que muda a forma como lidamos com determinadas situações cotidianas pode ser entendido como uma ameaça. Exemplificando, muita gente questiona a segurança do uso do computador ou celular para pagar contas em detrimento de fazê-lo no caixa do banco.

Filmes e livros sobre ficção científica não são considerados como causa da tecnofobia, mas eles podem ajudar a incutir o medo da tecnologia em mentes ansiosas.

Tecnofobia tem cura?

Algumas pessoas, diante de situações em que não se pode fugir da tecnologia, podem apresentar palpitações, tontura, irritabilidade, respiração ofegante e outros sinais clássicos de ansiedade. Para esses casos, a ajuda especializada de um profissional de saúde mental pode ser o mais adequado. É importante também buscar informações, tentar entender como funcionam os dispositivos e tecnologias que mais assustam. Se o maior medo for de fazer transações bancárias online, busque entender como é feita a segurança digital do site do banco.

Como ajudar a tecnófobos

Se você tem amigos ou parentes que sofrem com isso, sua ajuda pode ser muito útil.

  1. Seja paciente. É comum que indivíduos de mais idade, por exemplo, tenham dificuldades para assimilar tecnologias novas, mas isso não quer dizer que eles não consigam aprender. Provavelmente, eles só precisam de mais tempo. A velocidade com que tecnologias se apresentam é mais intensa atualmente. Para muita gente é difícil acompanhar esse ritmo. Explique com calma e repita a informação várias vezes, se necessário. Isso fará a pessoa se sentir confortável para aprender a usar o celular ou o controle remoto da TV nova. Também é importante ter paciência com pessoas que demoram mais para usar o caixa eletrônico, digitar a senha do cartão no caixa do mercado, passar pelo bloqueio do metrô
  2. Explique o funcionamento e o benefício da tecnologia e acompanhe-o quando ele quiser tentar algo novo.  A informação é o melhor remédio para qualquer comportamento que se caracterize como tecnofobia.
  3. Desenvolvedores, designers e afins também podem fazer a sua parte, criando páginas, aplicativos e aparelhos mais intuitivos.
  4. Lembre-se que não adianta insistir. A pessoa só fará quando estiver se sentido tranquila e segura, então mostre que ela pode confiar em você.
A tecnofobia pode se apresentar em todas idades. Imagem: Shutterstock

Conclusão

A tecnofobia deve ser considerada com seriedade.  A vida de uma pessoa pode ser prejudicada por não conseguir sacar dinheiro num caixa eletrônico, perder o emprego por não operar uma nova máquina no trabalho, não conseguir se candidatar a um emprego porque muitas empresas só aceitam currículos pela internet, manter-se isolado de amigos e parentes por não conseguir usar o computador ou celular, não conseguir declarar o imposto de renda, etc.   Pessoas assim podem se sentir excluídas socialmente.

Se você tem facilidade em usar novas tecnologias e procura uma maneira de usar seus conhecimentos para ajudar outras pessoas, está aí uma boa oportunidade. Ajude aqueles que precisam de amor, carinho e compreensão para se adequarem as complexas novidades.  Veja se na sua família ou comunidade existem adultos e idosos que precisam de ajuda e desenvolva um método de apoio. Para isso não é preciso muito. Use os próprios dispositivos dessas pessoas para treina-las.


Leituras adicionais

Tecnofobia: comportamento e possíveis sintomas em pessoas das gerações x e baby boomers que residem em parnamirim-rn. https://monografias.ufrn.br/jspui/bitstream/123456789/6344/1/EmersonTS_Monografia.pdf

Tecnotopia versus tecnofobia. O mal-estar no século XXI. https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/17689/1/ARTIGO_TecnotopiaVersusTecnofobia.pdf

Requalificação para o futuro do trabalho exige superar a ‘tecnofobia’. https://cio.com.br/requalificacao-para-o-futuro-do-trabalho-exige-superar-a-tecnofobia/


[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Tecnofobia

[2] https://tecnoblog.net/199408/tecnofobia-medo-tecnologia/

[3] http://psicoativo.com/2016/07/tecnofobia-medo-de-tecnologia-causas-sintomas-tratamentos.html

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