O Novo Normal das Igrejas

Muito se tem falado sobre o “novo normal”. Queremos que isso ocorra depressa, mas e se demorar? Como devemos encarar o “novo” da melhor maneira? Como será o novo normal para as igrejas?

O novo normal

A pandemia do Covid-19 descarrilhou a humanidade jogando-a para fora dos trilhos. As situações comuns a que estávamos acostumados (sair de casa para trabalhar e estudar, interagir e divertir-se presencialmente com amigos, abraçar e beijar, etc.) mudaram repentinamente e estamos atordoados tendo que adotar novos hábitos, como por exemplo, carregar máscaras ao sair de casa, ter sempre álcool gel, lavar bem as mãos, evitar aglomerações, comemorar aniversários à distância, etc.

O novo normal trouxe dúvidas e ansiedade quanto ao futuro da humanidade. Estamos tentando aceitar que algumas coisas não voltarão a ser como eram antes. A essa aceitação chamamos de “o novo normal”.  Ainda não está claro como será o nosso novo modelo de vida daqui para frente, mas estamos tentando lidar com a ideia de que precisamos nos adaptar para sobreviver. Isso é traumático e assustador.

O novo normal e a igreja virtual

As igrejas são instituições milenares, mas que também precisarão se adaptar à nova realidade para sobreviver. Na minha profissão lido diariamente com a religiosidade de pessoas de diferentes realidades, através da Internet. Tenho observado algumas novas realidades e acentuações de outras já existentes. Compartilho agora com você.

A igreja virtual já existia antes da pandemia. No entanto, cresceu, ficou mais visível, e creio que não desaparecerá no pós-pandemia. Alguns grupos compõem essa nova realidade:

  1. Admiradores. São pessoas que admiram a religião, a espiritualidade e o transcendente. Eles estão em busca de respostas e procuram na religião explicações lógicas sobre esse momento. Elas consomem cultos ao vivo, sermões e toda sorte de conteúdo religioso digital. Se sentem inspirados e confortados no contato com a Palavra de Deus, mas não assumem o compromisso de se filiar a uma igreja. São parecidos com o personagem Nicodemos do evangelho. Eles seguem, mas de longe.
  2. Afastados. São pessoas que já foram afiliadas a alguma denominação, mas abandonaram suas convicções. Elas sabem que precisam retornar à prática da religião, mas a complexidade da vida a que se envolveram as impede disso. Costumam ser o grupo mais emotivo nesse período de pandemia. Demonstram arrependimento, medo, expressam o desejo de retornar em algum momento e gritam por ajuda.  Participam dos eventos religiosos online, mas sem regularidade.  
  3. Impossibilitados. São pessoas que por algum motivo de saúde não podem frequentar os cultos presenciais. Geralmente idosos, pessoas com doenças crônicas ou acamados temporariamente. Esse grupo pode ter sido o que mais cresceu e que também vai permanecer no pós-pandemia. Eles agora fazem parte dos grupos de risco.
  4. Os doentes emocionais. São aqueles que sofrem com doenças emocionais como depressão, ansiedade e pânico. Os cultos pela Internet ou TV geram alívio e conforto. A igreja virtual é um ambiente controlado e seguro que eles possuem para se conectar com a fé e para manter o sentimento de pertencimento.
  5. Acomodados. São os que experimentaram os cultos virtuais no conforto do lar e concluem que o digital é suficiente para manter a prática da religiosidade. Eles raciocinam que na Internet os pregadores são melhores, os horários dos cultos são flexíveis e a comodidade do lar é incomparável. Eles querem manter essa nova realidade como estilo de vida.
  6. Os Haters. São os críticos. Alguns não frequentam mais as igrejas, mas ainda se consideram religiosos extremamente conservadores ou liberais. Geralmente são contra alguma organização, líderes ou doutrina, mas gostam de se manifestar de forma negativa e ofensiva. São minoria, mas muito expressivos e usualmente atrapalham os outros grupos a absorver a mensagem.

A igreja no novo normal

Uma vez que esses grupos continuarão no pós-pandemia será essencial não os esquecer quando as igrejas reabrirem e retornarem a rotina presencial. Eles são pessoas reais que necessitam de assistência, cuidado e sentimento de pertencimento. Seguem algumas sugestões de como fazer isso:

  1. Transmissões de cultos. Não se pode jogar fora todo avanço conquistado pela igreja no mundo digital. Continue a desenvolver a área tecnológica e comunicacional da sua igreja. Mantenha a transmissão dos eventos presenciais também visando os públicos anteriormente descritos.
  2. Contato digital permanente. Os grupos de WhatsApp, Zoom e outras ferramentas continuarão sendo úteis para manter a igreja unidade e vibrante. Lembre-se de criar oportunidades para que o membro que não pode sair de casa se sinta envolvido e cuidado.
  3. Visitação. Existem pessoas que precisam de contato presencial. Será essencial desenvolver maneiras de visitar essas pessoas em suas residências, de maneira segura.
  4. Empatia. Entenda que algumas pessoas terão medo de retornar à igreja física. Ajude-as mostrando cuidado e preocupação enviando orações e palavras de carinho pelos meios digitais ou pessoalmente. Mantenha sempre contato com elas e aos poucos retornarão ao convívio físico.
  5. Estabeleça estratégias e organize eventos para alcançar os acomodados. Mostre que algumas experiências só podem ser desfrutadas presencialmente.

Conclusão

Recentemente assisti um pastor contando que sua igreja cresceu mais de dez vezes durante a pandemia. O método dele é simples. Nos cultos online informa aos internautas que para fazer parte da igreja basta preencher um formulário com o nome e telefone. No passo seguinte ele com sua equipe de líderes fazem contato com a pessoa para a conhecer e perguntar como ela está durante essa fase de afastamento social. Nos dias seguintes ele nutre espiritualmente a pessoa com conteúdos enviados via SMS, WhatsApp ou liga para orar com elas. Também mantem uma agenda de atendimento individualizado. Para ele o segredo do sucesso é a atenção e cuidado individual. Ele ainda não sabe como será a igreja depois do afastamento social. Não sabe se toda essa igreja virtual se tornará presencial, se essas pessoas vão se batizar e etc., mas pretende continuar com essa estratégia mesmo quando as coisas normalizarem.

Esse pastor entendeu que no novo normal o templo pode até ser virtual, mas a igreja ainda é real e pessoal. No novo normal, a tecnologia facilita a comunicação, mas ainda é o amor que conecta os corações.

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