Nos últimos anos, tem se observado um fenômeno acelerado e silencioso dentro das instituições religiosas: as mulheres estão abandonando a igreja. Em uma análise profunda desse cenário, a renomada autora e professora bíblica Beth Moore, baseada em seus mais de 40 anos de experiência de atuação no meio feminino, explicou as razões que têm gerado esse distanciamento.
De acordo com Moore, o afastamento não se dá por uma perda de fé, mas sim por uma cultura institucional que desvaloriza e exclui a presença feminina. Os principais motivos são:
1. A Proteção do Poder Acima da Segurança das Pessoas
Algumas igrejas, que deveriam ser um local de acolhimento, deixaram de ser um ambiente seguro para muitas mulheres. Moore aponta que as lideranças muitas vezes demonstram estar muito mais preocupadas em proteger o “púlpito” e manter o poder centralizado do que em proteger as próprias pessoas. Para justificar essa concentração de autoridade, utilizam-se da prática do proof-texting — a manipulação de versículos bíblicos fora de contexto para garantir o controle. Com isso, as mulheres recebem a mensagem direta de que a sua segurança e bem-estar não são importantes para a instituição.
2. A Sensação de Serem Vistas como “Descartáveis” Muitas mulheres sentem que a igreja parou de se importar com elas. A mensagem transmitida é a de que elas são peças descartáveis, especialmente quando a instituição coloca interesses como ganhos políticos ou a manutenção do poder acima das verdades do evangelho. Moore enfatiza que retirar a dignidade das mulheres é algo que vai frontalmente contra a atitude de Cristo, que sempre valorizou e concedeu grande dignidade e inclusão a elas.
3. O Sufocamento dos Dons e a Eliminação do Espaço de Serviço O avanço de uma mentalidade focada no “hiperfundamentalismo” está minando o espaço de atuação das mulheres. Elas percebem que não há mais um lugar para servir, sendo cortadas até mesmo de posições tradicionais, como o ensino em classes infantis ou a liderança de grupos comunitários. Como consequência, as mulheres sentem que seus dons e talentos são rejeitados e não possuem mais nenhuma importância para a congregação.
Em resumo, Moore alerta que essa cultura de exclusão e desrespeito constante terá um “efeito cataclísmico”. Ao falhar em refletir o caráter de Jesus, que no Novo Testamento subverteu a lógica da época para colocar as mulheres em posições de atividade e destaque, a igreja perde a sua essência e empurra para fora aquelas que sempre foram o coração de suas comunidades.














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